Publicado em 1 julho 2015

Com as necessidades de negócios em rápida evolução, avanços tecnológicos e novas estruturas de trabalho, as habilidades que serão necessárias no futuro estão mudando constantemente. Em resposta a essas demandas, governantes, educadores e especialistas de todo o mundo estão repensando seus sistemas de ensino.

Durante o evento Education on Air, especialistas participaram de uma discussão que teve como objetivo compreender a melhor forma de adaptar a educação às necessidades de competências do futuro. Participaram da conversa os seguintes profissionais:

  • Ken Shelton, Educador, Treinador & Google Certified Professor, EUA.
  • Jaime Casap, Evangelizador de Educação Global, Google, EUA.
  • Jouni Kangasniemi, Assessor Especial do Ministério da Educação e Cultura da Finlândia.
  • Nicole, estudante de Isle of Portland Academy Aldridge Comunidade, UK.
  • Zoe Tabary, Editor do Economist Intelligence Unit, Reino Unido.

O painel debateu maneiras de ajudar os alunos a aprender e adotar as habilidades e atitudes que os empregadores da economia mundial – cada vez mais digital e em rede – exigem. De acordo com o relatório de pesquisa da Economist Intelligence Unit, patrocinado pelo Google for Education e apresentado pelo editor Zoe Tabary durante o evento, resoluções de problemas, trabalho em equipe e comunicação são as características mais necessárias no ambiente corporativo.

Mas parece que os sistemas de ensino ainda não responderam a essa demanda. Isso porque apenas um terço dos executivos afirma estar satisfeito com o nível de realização de jovens que entram em seus locais de trabalho. Ainda mais impressionante é o dado que aponta que 51% dos executivos informam haver um déficit de competências, que dificulta o desempenho de suas organizações. Estudantes e educadores apontam uma situação semelhante.

Os convidados endossaram a pesquisa e sugeriram que os sistemas de ensino muitas vezes não têm a capacidade de ensinar uma ampla gama de habilidades para a resolução de problemas, ou seja, falham na alfabetização digital e na liderança e criatividade, que complementam as habilidades mais convencionais. Limitações de tempo, falhas de flexibilidade e certa relutância em inovar com o currículo são algumas das causas mencionadas. Para Jouni Kangasniemi, consultor sênior do Ministério de Educação e Cultura da Finlândia, a questão-chave encontra-se em como realmente incorporar essas habilidades ao longo do currículo, em vez de apenas adicioná-los à mistura de disciplinas.

De qualquer forma, o progresso está aos poucos acontecendo e os próprios convidados compartilharam exemplos de como o sistema de ensino está se adaptando às novas exigências. O sistema educacional finlandês, apresentado pelo deputado Kangasniemi, sugere que os resultados em aprendizagem nessa área melhoram quando os professores têm maior grau de liberdade e confiança para ajustar o currículo conforme os estilos de aprendizagem dos alunos. Dessa forma, o ensino se torna mais personalizado, focado no aluno e apoia a aprendizagem a partir de perguntas entre professores e alunos de maneira proativa, em vez de professores simplesmente apresentando respostas e fatos.

Nesse cenário, a tecnologia também desempenha papel central no desenvolvimento de competências. Segundo a pesquisa da Economist Intelligence Unit, 85% dos professores relatam que o desenvolvimento da Tecnologia da Informação está mudando a maneira como eles ensinam. Mas apenas 23% dos jovens entre 18 e 25 anos pensam que o seu sistema de ensino é muito eficaz no uso das tecnologias já disponíveis.

Com o ritmo da mudança tecnológica cada vez mais acelerado, os sistemas de ensino devem responder, oferecendo treinamento e plataformas para os professores que efetivamente usam a tecnologia, além de melhor equipar os alunos para o local de trabalho tanto de hoje quanto de amanhã.

Jaime Casap, especialista em educação global do Google, destacou a necessidade de se concentrar em mentalidades de ensino em vez de habilidades. “As habilidades podem se tornar obsoletas. Não há uma linha do tempo finita quando elas podem ser usadas ou aplicadas”, argumenta Casap, ao passo que uma abordagem curiosa que procura resolver problemas será sempre necessária, não importando quais problemas a humanidade terá de enfrentar no futuro.

A grande questão é como podemos construir uma cultura e ambiente – e modelos educacionais – que preparam os alunos para enfrentar qualquer desafio como futuros líderes digitais.

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